PF indicia Dantas sob acusação de calúnia

| 1 comment

Segundo a polícia, ele e ex-diretor da Kroll teriam forjado documento sobre supostas contas de autoridades no exterior

Banqueiro nega qualquer participação em dossiê, publicado pela revista "Veja" em 2006, com nomes de Lula e ex-ministros


Investigação conduzida pela Polícia Federal desde maio de 2006 concluiu nesta semana tratar-se de uma "armação" o conjunto de documentos que apresentam autoridades brasileiras, entre as quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como donas de vultosas contas bancárias no exterior.
Ao fechar o inquérito relacionado ao caso, a PF indiciou sob a acusação de crime de calúnia, enquadrado na Lei de Imprensa, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o executivo Frank Holder, ex-diretor da Kroll, multinacional que atua na área de investigação.

Caluniar, nos termos da lei, é atribuir a alguém falsamente fato definido na legislação como crime. Em caso de condenação, a pena prevista é de prisão de seis meses a três anos, além de multa.
Caberá agora ao Ministério Público Federal decidir se acusa ou não, diante da Justiça, os investigados pela PF.
A investigação foi aberta por conta de reportagem publicada na revista "Veja" em maio de 2006, na qual foram reproduzidas partes de documentos que listavam autoridades, suas supostas contas bancárias e saldos de que dispunham.
Os correntistas seriam, além de Lula, os ex-ministros Márcio Thomaz Bastos, Luiz Gushiken, Antonio Palocci e José Dirceu, além do senador Romeu Tuma (DEM-SP) e do ex-diretor da PF Paulo Lacerda, hoje comandando a Abin.

Para a PF, Dantas foi o mentor da "armação". E teria usado Frank Holder para materializar a farsa. Os objetivos seriam dois, pelo menos.
No caso de Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, e de Lacerda, uma possível vingança pela Operação Chacal, investigação da PF que levou Dantas a responder a ação penal, na qual hoje defende-se pela suposta prática dos crimes de violação de sigilo e corrupção.

Quanto às demais autoridades, teriam sido incluídas no dossiê como forma de pressioná-las, já que, na ocasião, Dantas, pelo Opportunity, disputava o controle da Brasil Telecom com o Citibank, fundos de pensão, cujos diretores são nomeados pelo governo, e a Telecom Italia.

Em março de 2005, os fundos fecharam um acordo com o Citibank e passaram a ter o controle da empresa, destituindo Dantas. Mas a disputa seguiu pelas vias judiciais. Em 30 de setembro de 2005, o Opportunity saiu do comando da Brasil Telecom.
O relatório do inquérito informa à Justiça Federal que o pedido de quebra internacional de sigilo para verificar a existência das supostas contas acabou frustrado por esbarrar em falta de fundamentos suficientes e também na inexistência de acordos de cooperação jurídica que sustentassem a medida pleiteada.
Mas a PF avalia que, diante dos outros elementos colhidos que indicam a falsidade do material, essa quebra se tornou irrelevante. A investigação revelou que o dossiê, com o indicativo das contas, tinha pelo menos três versões, que chegaram ao conhecimento da "Veja".

Conforme a reportagem de "Veja", versão também repetida em depoimento, o banqueiro Daniel Dantas disse que soube, por meio da Kroll, da existência do dossiê. Repassou, então, a informação à revista, que por sua vez buscou contato com Frank Holder e publicou o documento.
Folha assinante lê aqui

China e Brasil lideram aberturas de capital no mundo no 3º trimestre

| No comment yet

China e Brasil lideram aberturas de capital no mundo no 3º trimestre

PEQUIM, 30 de outubro (Reuters) - O agitado mercado acionário chinês é o primeiro do mundo em aberturas de capital de empresas no terceiro trimestre, tanto em quantidade quanto em volume de recursos levantados, mostrou um relatório da Ernst & Young nesta terça-feira. O Brasil aparece em segundo lugar.

Outros mercados emergentes, incluindo a Índia, também passam por um incremento na quantidade de ofertas de ações, mas as aberturas nos mercados mais maduros caíram sob o peso da influência da crise de crédito e das turbulências geradas pelo mercado hipotecário de risco dos Estados Unidos.
Empresas da China continental e de Hong Kong levantaram US$ 14,3 bilhões no terceiro trimestre, mais que o dobro no mesmo período do ano passado.

Enquanto isso, o Brasil ficou em segundo lugar com US$ 9,3 bilhões levantados no terceiro trimestre. Os Estados Unidos ficaram na terceira posição, com US$ 8,3 bilhões.

"Não há dúvida de que os mercados emergentes são o motor da economia global e os IPOs (ofertas iniciais de ações) são um reflexo disso", disse Gil Forer, diretor global da Ernst & Young.

Forer disse ainda que o panorama de IPO parece saudável, apesar do impacto da crise de crédito ainda ser difícil de mensurar.

Três das dez maiores ofertas públicas iniciais ocorridas no mundo, incluindo a listagem do Bank of Beijing , aconteceram no último trimestre na China.

Nos últimos anos, o quarto trimestre vinha sendo o mais forte para a China em termos de aberturas de capital, uma tendência que a Ernst & Young espera que se mantenha.

"A confiança do investidor continua positiva, há muitas razões para acreditar que os fundos levantados pelas empresas na China e em Hong Kong irão facilmente ultrapassar 50 bilhões de dólares em 2007", afirmou o sócio da Ernst & Young, Joe Tsang, a jornalistas.

Em 2006, a China levantou US$ 57 bilhões em aberturas de capital.

Relatório Fifa diz que Brasil tem boas condições

| No comment yet

Relatório Fifa diz que Brasil tem boas condições
30/10/2007


Folha de S.Paulo

O relatório dos inspetores da Fifa que estiveram no Brasil ignorou falhas e apontou que o país tem condições de atender às exigências da entidade máxima do futebol em todos os itens: segurança, transporte, hotelaria, hospitais etc.

"Na conclusão, na opinião desta equipe de inspeção, o Brasil está bem estabelecido para sediar uma excepcional Copa do Mundo", diz o texto do documento.

O relatório também mostra que a CBF já abriu mão, por exemplo, de lutar pelas receitas de ingressos --a Fifa e o comitê organizador as dividiram na Alemanha. E que o governo brasileiro, excluído do comitê da Copa, assinou todas as garantias de alterações de lei pedidas pela Fifa.

Os inspetores da entidade enxergaram de forma positiva até itens em que o país tem apresentado grandes falhas.

Um exemplo é o setor aéreo brasileiro. Na opinião da Fifa, o Brasil tem 18 "bons aeroportos" nas cidades-sedes. Assim, os inspetores acrescentam que "a infra-estrutura do sistema de transporte aéreo é um elemento-chave da candidatura".

Tanto que a Fifa prevê deslocamentos em massa de torcedores em um mesmo dia. Mas admite não ter obtido informações sobre essa possibilidade.

Os inspetores não estiveram nos aeroportos brasileiros: obtiveram informações por meio das cidades candidatas e outros canais. Sua visita ocorreu cerca de um mês e meio após o acidente do avião da TAM no aeroporto de Congonhas, quando o país já enfrentava um caos no sistema aéreo de quase um ano.

Baseadas em ônibus, em sua maioria, as redes de transporte de 12 das 18 cidades candidatas atendem aos requisitos da Fifa, segundo os inspetores. A entidade deixa claro que, por falta de rede, o transporte ferroviário não deve desempenhar papel decisivo no Mundial.

O sistema de hotelaria é considerado suficiente, na maioria das cidades, com exceção de quatro. São Paulo e Rio contam com as melhores estruturas.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u341061.shtml

29 milhões de trabalhadores estão fora Previdência

| No comment yet

29 milhões de trabalhadores estão fora Previdência


Agência Brasil, de Brasília
30/10/2007


A proporção dos trabalhadores sem direito à aposentadoria e aos demais benefícios previdenciários caiu em 2006. Segundo levantamento do Ministério da Previdência Social, a parcela de trabalhadores sem proteção social caiu de 36,5% em 2005 para 35,9% no ano passado, atingindo o menor nível desde 1995.


Em números absolutos, no entanto, o total de trabalhadores que não contribuem para a Previdência aumentou de 28,81 milhões, em 2005, para 29,03 milhões em 2006. Segundo o ministério, o aumento se deve à entrada de 2 milhões de brasileiros entre 16 e 59 anos no contingente de trabalhadores, que fechou o ano passado em 80,93 milhões de pessoas.


Para o ministro da Previdência, Luiz Marinho, a diminuição no percentual de trabalhadores sem cobertura previdenciária é resultado do desempenho da economia nos últimos anos. "De 2002 para cá, retomamos um processo de cobertura previdenciária e social, acompanhando a retomada do crescimento com distribuição de renda", avalia. Segundo ele, em três ou quatro anos, o país poderá alcançar os níveis registrados em 1992, quando a falta de cobertura atingiu 33,6% dos trabalhadores.


Segundo o ministério, do total de trabalhadores sem cobertura previdenciária, 13,27 milhões (16,4%) ganham menos de um salário mínimo e 15,42 milhões (19,1%) têm rendimento igual ou superior a um salário mínimo.

Previdência tirou 881 mil da pobreza

| No comment yet

Previdência tirou 881 mil da pobreza

F São Paulo, terça-feira, 30 de outubro de 2007


Redução do número de pobres cresce de 21 mi, em 2005, para 21,9 mi, em 2006

Ministério reconhece porém que ainda existem no país 32,7 milhões de pessoas que não estão protegidas pela Previdência Social



Um contingente adicional de 881 mil brasileiros deixou a pobreza em 2006 em relação ao ano anterior por conta dos benefícios pagos pela Previdência e Assistência Social, segundo estudo divulgado ontem pelo Ministério da Previdência.

Em 2006, os benefícios previdenciários permitiram a redução do número de pobres no país em cerca de 21,9 milhões de pessoas. Em 2005, a renda previdenciária e assistencial retirou da pobreza pouco mais de 21 milhões. É nessa diferença que estão as 881 mil pessoas.

O estudo ainda mostra que no Brasil existem 32,7 milhões de pessoas "socialmente desprotegidas", ou seja, não são cobertas pela Previdência. Os dados não consideram os beneficiários do Bolsa Família.

O governo federal comemorou os novos números sobre o impacto da Previdência Social na redução da pobreza no país e atribuiu o feito ao aumento do poder de compra do salário mínimo e à melhoria na distribuição de renda.

"Se não houvesse a Previdência, o total de pessoas abaixo da linha de pobreza seria muito maior", afirmou o ministro Luiz Marinho (Previdência).

Para o pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Sergei Soares, no entanto, a redução observada em 2006 foi modesta quando comparada com o total de pessoas que deixaram a pobreza por vários fatores no ano. 09

Empregos

| No comment yet

Empregos
FSP - 01/08, pesquisa da FGV


A previsão é que a indústria passe a contratar nos próximos meses, segundo o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloisio Campelo. "A indústria estava produzindo mais, mas não estava contratando", destaca.

Em julho, 32% das 1.018 empresas ouvidas pela pesquisa disseram que pretendem aumentar o quadro de pessoal, enquanto 7% planejam reduzi-lo. No mesmo mês de 2006, as expectativas eram de 28% e 13%, respectivamente. Material de transporte e metalurgia são os gêneros com maior expectativa de contratação.

A previsão para o aumento de produção no terceiro trimestre também foi maior, com alta de 6,7% ante julho de 2006.

Outro indicador que demonstra a confiança dos empresários a longo prazo é o de negócios, que está ligado à lucratividade. A situação dos negócios em seis meses, medida pela FGV, foi a mais alta desde julho de 2000. "A despeito do câmbio, a queda dos juros leva à recomposição das margens", afirma Campelo.
Segundo o coordenador, há uma combinação de segmentos da indústria bastante aquecidos, como o de material de transporte, e outros em recuperação, como vestuário. "Só [os segmentos de] madeira e calçados que estão muito fracos", ressalva Campelo.

Índice de confiança atinge maior nível desde 95

| No comment yet

Índice de confiança atinge maior nível desde 95
Encomenda maior eleva otimismo das indústrias de transformação
Índice de confiança atinge maior nível desde 95; empresas devem contratar mais

VERIDIANA SEDEH
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, hoje...

O nível da demanda interna da indústria de transformação (com ajuste sazonal) é o maior em mais de 20 anos, segundo sondagem realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O volume maior de encomendas no mercado interno fez o Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pela entidade, atingir o maior nível da série histórica, iniciada em abril de 1995, com ou sem ajuste sazonal.

O resultado mostra que a indústria inicia o terceiro trimestre aquecida e deve contratar mais nos próximos meses.

Em julho, o ICI (dado dessazonalizado) ficou em 121,7 -altas de 15,8% em relação a 2006 e de 2,9% sobre junho. Com o ajuste, o índice ficou em 123,4, superando julho de 2004, quando atingiu 121,2.

Por confiança, entende-se o grau de satisfação do empresário com a situação atual combinado com o otimismo em relação ao futuro.

O Índice da Situação Atual foi o que mais puxou o ICI. Com ajuste sazonal, ele é o maior desde 1995, com 130,1.

Superávit primário atinge 4,3% em 12 meses, acima da meta do governo

| No comment yet

Valor Econômico - 01/08
Superávit primário atinge 4,3% em 12 meses, acima da meta do governo
Alex Ribeiro
01/08/2007



O superávit primário do setor público chegou a 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no período de 12 meses encerrado em junho, o que significa uma folga de 0,5 ponto percentual em relação à meta do governo para o ano, de 3,8%. Em maio, o superávit foi ligeiramente menor - 4,29% do PIB. A dívida líquida do setor público recuou de 44,7% para 44,3% do PIB em junho. A queda acumulada no ano é de 0,6 ponto percentual do PIB. O BC projeta estabilidade da dívida em julho e ligeiro aumento no segundo semestre, para 44,5% do PIB.


Os dados fiscais deste ano estão sendo mais favoráveis do que os dos dois anos anteriores. De janeiro a junho de 2007, o superávit primário correspondeu a 5,9% do PIB do semestre, acima do resultado em período correspondente de 2006 (5,17% do PIB) e de 2005 (5,81% do PIB).


O forte superávit primário foi puxado pela arrecadação. As receitas do governo federal subiram 13,5% nominais no primeiro semestre de 2007, comparado com o mesmo período de 2006. A arrecadação do ICMS, principal receita própria dos Estados, cresceu 9% de janeiro a maio de 2007, comparado a igual período de 2006.


"A tendência é que continuemos com arrecadação maior, puxada pelo fortalecimento da atividade econômica", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "No caso dos Estados e municípios, pode-se esperar que, em algum momento, passem a gastar um pouco mais."


Em junho, o superávit primário do setor público consolidado (União, Estados, municípios e estatais) chegou a R$ 11,647 bilhões, o maior para um mês de junho desde o início da série estatística do BC, em 1991. O resultado foi puxado pelo governo central, com R$ 5,474 bilhões, mas os governo regionais deram contribuição importante, com R$ 3,332 bilhões, dos quais R$ 2,986 bilhões dos Estados. As estatais registraram superávit de R$ 2,842 bilhões.



O superávit primário de junho foi tão elevado que cobriu os gastos com pagamento de juros da dívida pública - R$ 10,970 bilhões no mês. O resultado final foi um superávit nominal de R$ 677 milhões, o segundo em três meses.


Os gastos com juros da dívida pública, por outro lado, estão caindo muito lentamente. A despesa foi equivalente a 6,47% do PIB nos 12 meses encerrados em junho. Houve queda de 6,1% em relação aos 6,89% do PIB observados em 2006, e queda de 11,6% em relação aos 7,32% do PIB de 2005. A projeção do BC é que a despesa fique em 6,1% do PIB em 2007.


A taxa básica de juros sofreu queda bem mais pronunciada no período, mas o ganho não se refletiu nos encargos da dívida. Nos 12 meses encerrados em junho, a Selic acumulada foi de 13,2% ao ano, percentual 12,4% menor do que a Selic acumulada em 2006 (15,08%) e 30,6% abaixo de 2005 (19,05%).


Lopes explica que dois fatores contribuíram para que os encargos da dívida não caíssem na mesma proporção que a Selic. Um deles é o aumento da dívida mobiliária, puxada, entre outros, pela política de acúmulo de reservas pelo BC. O outro fator foi a mudança da composição da dívida, com a emissão de mais títulos com juros prefixados ou atrelados a índices de preços e com aumento dos ativos vinculados à taxa de câmbio.

Boas notícias

| No comment yet
Notícias do Valor Econômico 31/07...

"Indústria está mais confiante em julho e vê boas perspectivas para próximos meses, mostra FGV.


Dívida líquida pública recua para R$ 1,095 trilhão em junho, ou 44,3% do PIB.


Despesa do setor público com juros diminui em junho para R$ 10,9 bilhões."



Venham discutir os números, tucanos, demos e direitistas de outras ordens, rs...

Os números do Governo Lula e comparações...

| 1 comment

Fontes: IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar - desde 1994); ANEEL; Bovespa; CNI; CIESP; Ministérios Federais e Agências Reg.; SUS; CES/FGV; jornais FSP, Valor, Gazeta Mercantil, O Globo, OESP, entre outros.



Número de policiais federais:

Lula: 11 mil

PSDB: 5 mil


Operações da PF contra a corrupção, crime organizado, lavagem de dinheiro, etc...:

Lula- 183
PSDB - 20



Prisões efetuadas:

Lula: 2.971

PSDB: 54

Criação de empregos :

Lula: 6 milhões (4 milhões com carteira assinada)

PSDB: 700 mil

Média anual de empregos gerados :

Lula: 1,14 milhão

PSDB: 87,5 mil



Média mensal de empregos gerados:

Lula: 95 mil

PSDB: 87 mil


Taxa de desemprego nas regiões metropolitanas:

Lula: 8,3%

PSDB: 11,7%


Desemprego em SP:

Lula: 16,9%

PSDB: 19,0%


Exportações (em dólares):

Lula: 118,3 bilhões

PSDB: 60,4 bilhões


Balança comercial (em dólares):

Lula: 103,3 bilhões (positivos)

PSDB: - 8,4 bilhões (negativos)


Transações correntes (em dólares):

Lula: 30,1 bilhões (positivos)

PSDB: - 186,2 bilhões (negativos)


Risco-país:

Lula: 204 * No governo Lula, o país atingiu o patamar mais baixo da história.

PSDB: 2.400 (!!)

Inflação:

Lula: 2,8%

PSDB: 12,53%


Dívida com o FMI (em dólares):

Lula: dívida paga

PSDB: 14,7 bilhões


Dívida com o Clube de Paris (em dólares):

Lula: dívida paga

PSDB: 5 bilhões


Dívida pública:

Lula: 34,2%

PSDB: 35,3%



Dívida externa:

Lula: 2,41%

PSDB:12,45%


Investimento em desenvolvimento (em reais):

Lula: 47,1 bilhões

PSDB: 38,2 bilhões

Empréstimo para habitação (em reais):

Lula: 4,5 bilhões

PSDB: 1,7 bilhões


PIB:

Lula: 2,6% ao ano (até 2005)

PSDB: 2,3% ao ano


Crescimento industrial:

Lula: 3,77% * O lucro líquido das grandes empresas com ações em Bolsa quase triplicou nos três anos e meio de governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao período da segunda gestão de Fernando Henrique Cardoso, de 1999 a 2002. Folha de S. Paulo (20/08/2006)

PSDB: 1,94%


Produção de bens duráveis:

Lula: 11,8%

PSDB: 2,4%


Aumento na Produção de veículos:

Lula: 2,4%

PSDB: 1,8%


Crédito para a agricultura familiar:

Lula: 6,1%

PSDB: 2,4%


Crescimento real do salário mínimo:

Lula: 25,3% * Ganho real de 25,7% em três anos

PSDB: 20,6%


Valor do salário mínimo em dólares:

Lula: 152
PSDB: 55


Poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica:

Lula: 2,2 cestas básicas

PSDB: 1,3 cesta básica


Aumento do custo da cesta básica:

Lula: 15,6%

PSDB: 81,6%


Índice de Desigualdade social:

Lula: 0,559

PSDB: 0,573


Participação dos mais pobres na renda:

Lula: 15,2%

PSDB: 14,4%



Número de pobres:

Lula: 33,57%

PSDB: 34,34%



Número de miseráveis:

Lula: 25,08%

PSDB: 26,23%



Transferência de renda (em reais):

Lula: 7,1 bilhões

PSDB: 2,3 bilhões



Média por família:

Lula: 70 reais

PSDB: 25 reais



Atendidos pelo programa Saúde da Família:

Lula: 43,4%

PSDB: 30,4%



Atendidos pelo programa Brasil Sorridente (atendimento odontológico):

Lula: 33,7% * 15 milhões de brasileiros foram pela primeira vez ao dentista.

PSDB: 17,5%



Mortalidade infantil indígena (por 1000 habitantes):

Lula: 21,6

PSDB: 55,7



Número de turistas que vêm ao Brasil:

Lula: 4,6 milhões

PSDB: 3,8 milhões



Pró-jovem - estudo subsidiado

Lula: 93 mil (18 a 24 anos) * 100 reais por mês de subsídio a cada estudante

PSDB: não havia programa.

Bolsa Família
Lula: 11,1 milhões de famílias * Educação e subsídio alimentar

PSDB: o programa era o Bolsa Escola com menos atendidos e atendimento mais limitado.





Incremento no acesso a água no semi-árido nordestino

Lula: 762 mil pessoas e 152 mil cisternas

PSDB: zero, não havia programa.



Distribuição de leite no semi-árido (sistema pequeno produtor)

Lula: 3,3 milhões de brasileiros

PSDB: zero, não havia programa.



Áreas ambientais preservadas
Lula: incremento de 19,6 milhões de hectares (2003 a 2006)

Do ano de 1500 até 2002: 40 milhões de hectares



Apoio à agricultura familiar
Lula: 7,5 bilhões (safra 2005/2006) * O governo Lula investirá 10 bilhões na safra 2006/2007

PSDB: 2,5 bilhões (último ano de governo)



Compra de terras para Reforma Agrária

Lula: 2,7 bilhões (2003 a 2005)

PSDB: 1,1 bilhão (1999 a 2002)



Investimento do BNDES em micro e pequenas empresas:

Lula: 14,99 bilhões

PSDB: 8,3 bilhões



Investimentos em alimentação escolar:

Lula: 1 bilhão

PSDB: 848 milhões



Investimento anual em saúde básica:

Lula: 1,5 bilhão

PSDB: 155 milhões



Equipes do Programa Saúde da Família:

Lula: 21.609

PSDB: 16.698



População atendida pelo Prog. Saúde da Família:

Lula:70 milhões
PSDB: 55 milhões



Porcentagem da população atendida pelo Programa Saúde da Família:

Lula: 39,7%

PSDB: 31,9%



Pacientes com HIV positivo atendidos pela rede pública de saúde:

Lula: 151 mil
PSDB: 119 mil



Juros:

Lula: 16%

PSDB: 25%



BOVESPA

Lula: 35,2 mil pontos

PSDB: 11,2 mil pontos



Dívida externa:

Lula: 165 bilhões

PSDB: 210 bilhões



Desemprego no país:

Lula: 9,6%

PSDB: 12,2%



Dívida/PIB:

Lula: 51%

PSDB: 57,5%



Eletrificação Rural

Lula: 3 milhões de pessoas

PSDB: 2,7 mil pessoas



Livros gratuitos para o Ensino Médio

Lula: 7 milhões

PSDB: zero

Geração de Energia Elétrica

Lula: 1.567 empreendimentos em operação, gerando 95.744.495 kW de potência. Está prevista para os próximos anos uma adição de 26.967.987 kW na capacidade de geração do País, proveniente dos 65 empreendimentos atualmente em construção e mais 516 outorgadas.

PSDB em final de governo: apagão

BBC ACABA COM FHC EM ENTREVISTA. IMPERDÍVEL !: FHC diz que nunca foi neoliberal

| No comment yet

FHC diz nunca ter interferido em ações contra seu governo

Entrevista de BBC Brasil. Link aqui

FHC diz que, em seu governo, procurador era 'totalmente independente' do Executivo
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que "nunca interferiu" para que a Procuradoria Geral da República arquivasse processos contra membros de seu governo e que – durante seu período na Presidência – o procurador era "totalmente independente" do poder Executivo.
A afirmação foi feita durante entrevista ao programa de TV Hard Talk, que vai ao ar no canal de notícias internacional BBC World nesta quinta-feira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes do PT têm argumentado com freqüência que acusações de corrupção envolvendo membros do governo e do partido seriam resultado de uma postura mais independente do procurador-geral e da Polícia Federal.

Durante a campanha eleitoral de 2006, Lula disse que, no seu governo, "procurador-geral da República indicia. Em outros governos, ele engavetava".


Leia também: FHC questiona adesão de Chávez a 'democracia sustentável'

Na entrevista ao Hard Talk, Fernando Henrique Cardoso também afirmou que a falta de confiança nos políticos impede as pessoas no Brasil de perceber que o país está progredindo.


Assista à entrevista

Leia abaixo a primeira parte da tradução da entrevista, feita no dia 25 de setembro. O ex-presidente foi questionado e respondeu em inglês.

BBC - Em uma entrevista recente o senhor mencionou uma falta de entusiasmo geral que existiria atualmente no Brasil. O senhor disse que existe um sentimento de desânimo em seu país. Por que o sr. acha que o Brasil está desanimado?

Fernando Henrique Cardoso - Eu diria que basicamente isso se deve à falta de confiança na vida política que existe hoje em dia no Brasil. Não que isso seja centrado em alguém especificamente, em algum personagem, ou no presidente. Não é isso. Mas no Congresso, na maneira em que os políticos tratam os problemas nacionais. E também por causa da corrupção que existe em meio à liderança política.

BBC - Mas vamos analisar o cenário mais amplo. Apesar da economia brasileira estar crescendo menos do que a da China e da Índia - o país ainda apresenta uma taxa de crescimento entre 3% e 4% - a redução da pobreza tem sido feita numa escala impressionante. Eu não consigo entender por que, apesar desse quadro econômico mais amplo, o país passa por uma crise de identidade como o sr. falou.

FHC - Eu não diria que existe uma crise de identidade....acho que é mais um sentimento de malaise...se me permite usar uma expressão em francês....como se nós não estivéssemos nos sentindo bem. Quer dizer, me refiro à classe média, àquelas pessoas que lêem jornais ou que tentam seguir o que acontece no Congresso. Porque a percepção do cidadão comum é de que, como você disse antes, a economia vai bem. É verdade que não vai tão bem como em outros países ou mesmo como foi bem em outros tempos no Brasil, mas de todo modo um crescimento de 4% ao ano não é ruim. E também é verdade que está havendo uma redução do nível de pobreza. Portanto, nesse sentido o cidadão comum acha que seu padrão de vida está melhorando.

BBC - O motivo pelo qual usei o termo crise de identidade para caracterizar o seu argumento foi porque o senhor disse que existe uma falta de coesão na vida do Brasil como nação, que não existem no país idéias ou projetos unificados. Famílias, partidos politicos, religião, educação, estariam todos se fragmentando.

FHC - Bom, é um pouco exagerado dizer que existe uma fragmentação total. Na verdade, em outros momentos da história do Brasil existiu um sentimento de que o país estava progredindo. Agora, estamos progredindo de fato, mas não existe essa sensação, essa percepção.

BBC - Exato, no momento, o país progride como nunca foi visto antes e ainda assim o sr. não parece satisfeito, parece ter menos certeza sobre a situação do Brasil.

FHC - Mas esse é exatamente o ponto mais importante. Nós temos repetido sempre, durante as últimas décadas, desde a redemocratização, que o país precisa de educação, saúde... Temos o problema da reforma agrária, o problema da pobreza, da miséria, e isso é dito e repetido todos os dias, de tal modo que os brasileiros se convenceram de que existe uma situação desesperadora no país, o que nao é verdade. Estamos progredindo. O que falta é apenas um novo consenso. Isso depende basicamente da liderança. Eu diria que não quero criticar o meu presidente, pelo contrário, pois acho que Lula tem uma importância simbólica para o Brasil. Ele veio da classe trabalhadora e agora é presidente. Isso poderia ser um sinal importante. Portanto, por que não? Então por isso é que digo que tudo se deve a essa falta de confiança na classe política, como se rotula, incorretamente, no Brasil, aqueles que têm controle do sistema político. Estes é que não contam com a confiança da população.

BBC - Vamos falar sobre o presidente Lula um pouco depois... Mas o que eu sinto ao conversar com o sr. é um verdadeiro sentimento de frustração pelo fato de o senhor ter sido presidente por dois mandatos e não ter sido capaz de mudar a cultura política do país.

FHC - Você está certo quando se refere à cultura política.

BBC - E por quê?

FHC - Eu creio que consegui mudar o país.

BBC - Não tenho tanta certeza assim. O sr. realmente acredita que conseguiu?

FHC - Em relação à economia, sem dúvida que sim.

BBC - É verdade, mas indo além da economia? Eu percebo um sentimento de frustração... Como o sr. mesmo disse, "meu governo tornou a educação universal, mas para quê? Agora o ensino nas escolas é um desastre."

FHC - Não, não...

BBC - Isso foi o que sr. disse.

FHC - Foi o que eu disse, mas porque nosso problema era dar à população acesso às escolas. Mas agora o problema é qualidade. E isto é diferente, você percebe? Temos que melhorar a qualidade do ensino, o que talvez seja mais difícil do que simplesmente garantir o acesso à educação. Não sou pessimista em relação ao Brasil, talvez esta entrevista tenha um tom pessimista, mas não é assim que me sinto.

BBC - O sr. era um homem visto como um tecnocrata, talvez até visto por alguns como um neoliberal em termos econômicos. Com certeza o sr. acelerou o ritmo das privatizações, mas apesar de todas as suas reformas econômicas estruturais o sr. não conseguiu solucionar o problema dos dois Brasis. Isto é, de um lado a classe média e a classe alta, esta muito bem sucedida, representada por uma minoria muito pequena e do outro lado o enorme número, de milhões e milhões de brasileiros que vivem na pobreza. E o sr. não conseguiu, com todas as suas reformas, atacar o problema da pobreza.

FHC - Desculpe-me, mas você está errado. Eu dei início...na verdade não fui eu, até mesmo antes...nós demos início aos programas de transformação no Brasil, e os resultados estão surgindo agora. Eu posso lhe dar os últimos resultados. Os últimos resultados são referentes à redução da pobreza. A diminuição da pobreza no Brasil tem sido impressionante. Desde 1995 até agora, a linha da pobreza, que era de 40%, caiu para cerca de 28%.

BBC - Mas sr. Cardoso, desculpe a interrupção, mas muitos brasileiros diriam que de fato a redução da pobreza no Brasil se deu de forma mais bem sucedida e muito mais acelerada depois que o sr. deixou o governo e a partir da posse do presidente Lula.

FHC - É verdade, mas por quê?

BBC - A percepção é de que Lula destinou muito mais recursos a programas de combate à pobreza, como o famoso Bolsa Família, que tem tirado milhões de pessoas da miséria absoluta.

FHC - Mas o primeiro passo foi estabilizar a economia. Com isso a linha da pobreza caiu de 40% para 30%. Este foi o Plano Real. Em seguida...

BBC - O sr. se refere à estabilização da moeda que combateu de fato a inflação?

FHC - Correto...

BBC - O que é claro, muita gente atribui ao presidente Lula...

FHC - Pode ser o que as pessoas acham, mas não quer dizer que seja verdade. A estabilização ocorreu em 1995, até antes disso, quando eu era ministro da Fazenda. Foi quando a inflação foi derrubada, e desde então tem se mantido em níveis baixos. Lula apresentou um programa diferente, ao qual não me oponho. Sou a favor. E desde então ele tem se beneficiado de uma situação econômica mais favorável e pôde dar mais dinheiro para essa gente, e portanto tem aumentado, eu concordo com você, mas fui eu que comecei. A mudança da situação do Brasil começou com o programa de estabilização econômica durante o governo do presidente Itamar Franco, e posteriormente diversos outros programas iniciados pelo meu governo e então é natural que o país esteja bem melhor agora.

BBC - Analisando o que aconteceu no seu governo e no governo do presidente Lula, o sr. agora diria ter aprendido que há limites para a aplicação da economia de mercado num país como o Brasil e que pode se aplicar neoliberalismo e programas de privatização apenas de modo limitado?

FHC - Para início de conversa eu nunca fui um neoliberal. Sou a favor da economia de mercado, mas também sou a favor de uma ação ativa do governo, do Estado. Eu decidi não privatizar algumas empresas estatais e optei pela privatização de outras. Um exemplo é o setor das telecomunicações. O que aconteceu com as telecomunicações? Tínhamos 800 mil telefones celulares no Brasil agora temos 120 milhões e todos têm acesso. Se você olhar para as empresas de energia e mineração verá que o que fiz foi transformar as empresas estatais em corporações. Em conseqüência, atualmente a Petrobras é uma empresa importantíssima. O Banco do Brasil também tem um desempenho muito bom. Portanto, isso não é suficiente para formar uma nação, é preciso muito mais do que isso. Você pode ver que eu nunca fui um neoliberal.

BBC - Voltando a um de seus pontos iniciais...apesar de todo o progresso a que o sr. está se referindo, o Brasil tem um problema fundamental com a corrupção na sua cultura política e cívica.

FHC - Por esta razão é que me referi ao sentimento de que não estava indo tão bem, era a sensação da classe média, que tem acesso à informação, de que a corrupção existe.

BBC - E o sr. disse que o presidente Lula tem sido muito leniente com o problema da corrupção dentro do próprio partido dele. Sabemos que 40 membros do PT estão sendo julgados, acusados de terem participado de um esquema de compra de votos que teria existido há alguns anos. O sr. acredita que o presidente Lula é pessoalmente responsável por isso?

FHC - Eu creio que ele é responsável por não ter sido mais forte. Lula poderia ter sido mais categórico, dizendo: "Isto é errado!" Recentemente, ao se referir a um de seus ex-ministros que foi condenado....não condenado....mas, indiciado pela Procuradoria da República, ele disse não acreditar que o ministro tenha tido um envolvimento real no caso.

BBC - Então o sr. acha que o presidente deve demonstrar uma liderança clara na questão da corrupção?

FHC - Creio que sim.

BBC - Nesse caso, o sr. demonstrou essa liderança clara? O sr. ocupou a presidência por dois mandatos...que tipo de liderança o sr. demonstrou?

FHC - Bom, não existe nenhum caso no meu governo de alguém que tenha sido indiciado ou algo parecido que tenha sido protegido por mim.

BBC - Isso nos leva à essência da minha questão, se me permite, pois pelo que sei o sr. nomeou para o cargo de procurador-geral o senhor Geraldo Brindeiro, que permaneceu no cargo durante anos e, segundo a imprensa brasileira, recebeu mais de 600 processos criminais contra funcionários do governo, tendo arquivado a grande maioria, o que acabou lhe valendo o apelido de "Engavetador Geral". E o sr. está tentando me dizer que isso siginifica que não houve nada de errado enquanto esteve no poder, ou que ele simplesmente resolveu "sentar" sobre as alegações?

FHC - Deixe-me dizer a você com bastante clareza. No Brasil, o procurador é totalmente independente do poder Executivo. Absolutamente independente.

BBC - Mas ele foi nomeado pelo sr.

FHC - Sim, mas ele era totalmente independente. Ele fez seu próprio julgamento. Naquela época, vários procuradores eram fortemente influenciados pelos partidos políticos e em conseqüência eles tentavam levantar acusações contra esta ou aquela pessoa. E eu nunca interferi no processo. Nunca, em nenhum daqueles casos.

BBC - Mas o que parece é que ao mesmo tempo em que o sr. me diz que Lula tem de ser forte, deve demonstrar liderança, o sr. está me dizendo que durante os oito anos de seu governo nenhum deputado, senador, nenhum membro do governo foi indiciado porque a política era inteiramente limpa?

FHC - Você pode me dar o nome de alguém que tenha sido considerado culpado? Ninguém foi acusado.

BBC - Mas o fato de ninguém ter sido acusado formalmente talvez sugira que...

FHC - Nunca ninguém foi nem acusado pela imprensa, nenhum dos meus ministros. E caso alguém tivesse sido acusado minha reação seria simplesmente demiti-lo. Isso é o que estou lhe dizendo.

BBC - OK, vamos deixar de lado o aspecto pessoal e passar para o quadro mais amplo. Claramente o sr. acredita que fracassou ao tentar mudar a cultura política do país quando esteve no poder, até porque o sr. mesmo já disse isso. Agora, refletindo sobre isso e vendo o que Lula está enfrentando, o que o sr. acha que um líder no Brasil deve fazer, no futuro, para mudar realmente esta cultura política, que o sr. mesmo admite ser um problema?

FHC - Eu também sou um sociólogo. Quando você diz que cabe a um líder mudar a cultura política, tenho a dizer que um líder pode dar um exemplo, pode impôr, mas isso é um processo muito mais amplo e não fica restrito a apenas um homem. Não estou acusando Lula por isso, o que estou fazendo é culpá-lo num caso específico em que ele poderia ter dito "não", ter dado um exemplo à nação. Para mudar o processo politico é uma longa história. É necessário mudar algumas regras, tem algumas implicações legais e é também preciso mudar a cultura. O que fiz foi tentar não deixar que o sistema partidário interferisse demais no governo e dar um nível maior de profissionalismo ao meu governo.

Leia a segunda parte da entrevista

Sistema brasileiro tem sobra de liquidez

| No comment yet

O excesso de liquidez no mercado financeiro chegou a R$ 190,037 bilhões na semana passada, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. Desde julho passado a liquidez tem se mantido nos patamares mais altos da história, em virtude da agressiva política de compra de moeda estrangeira pelo BC. O excesso de liquidez pode ser visto, de um lado, como uma boa notícia, porque significa que os bancos brasileiros estão com excesso de dinheiro em caixa. Portanto, são pequenos os riscos de uma crise de liquidez como a que atingiu recentemente os bancos da Europa e dos EUA, obrigando a uma ação dos bancos centrais de países desenvolvidos. De outro lado, é também um indicador negativo: excesso de liquidez significa que, em caso de uma crise de grandes proporções, seria mais fácil a corrida dos bancos e clientes para ativos reais, como o dólar.

O excesso de liquidez é medido pelo volume de dinheiro que o BC é obrigado a recolher em suas operações de curto prazo no mercado aberto. O BC recolhe periodicamente dinheiro do mercado, entregando títulos públicos para os bancos, para evitar que o excesso de moeda em circulação faça o juros cair abaixo dos percentuais estabelecidos pela política monetária. Hoje, a maior parte do excesso de dinheiro é recolhida pelo BC em operações de curtíssimo prazo. A autoridade monetária absorveu R$ 90,447 bilhões em operações com prazo de até três meses. Também ha volume considerável - R$ 63,045 bilhões - de operações com prazo de sete meses.

O excesso de liquidez tem pouco a ver com a crise que abate os mercado internacionais. Ele foi criado pela agressiva política de compra de moeda estrangeira pelo BC. Neste ano, a autoridade já injetou R$ 134,774 bilhões na economia nas operações de compra de dólar. Mas há também pequena influência da crise internacional, que tem impedido o Tesouro de fazer seus leilões de venda de títulos públicos. Em julho, o resgate de vários lotes de títulos públicos injetou R$ 39,969 bilhões na economia (AR)

Pobreza cai e AL cria nova classe média

| No comment yet

Essa notícia você nunca vai ler na imprensa brasileira.O artigo do The Economist(texto em Inglês aqui), é longo mas vale a pena ser lido para que o leitor saiba o que o Presidente Lula vem fazendo para o Brasil e a imprensa esconde.


Montanhão é o nome do que não muito tempo atrás não passava de um lixão. Na região sul de São Bernardo do Campo, perto de São Paulo, as casas em Montanhão, de tijolos e blocos de concreto, distribuem-se por morros próximos a uma represa. Com mais de 110 mil pessoas, é uma das poucas áreas da maior região metropolitana brasileira onde a população ainda cresce rapidamente. É ainda uma das mais pobres. Mas nem de longe tão pobre quanto uma década atrás.

A sinuosa rua principal desse bairro tem inúmeros depósitos de materiais de construção, presentes e roupas, restaurantes e vários pequenos mercados. Um deles, o Dia, faz parte de uma rede popular do grupo francês Carrefour. Seu maior concorrente é o Mercado Gonçalves, cujo proprietário, Afonso Gonçalves, é um ex-camelô e eletricista. Desde 1997, sua pequena mercearia cresceu mais de quatro vezes. Ele vende mais de 10 mil produtos diferentes, de Nescafé e pasta de dentes Colgate a carne fresca, pão feito na hora e, trancado numa vitrine, uísque importado. Para Gonçalves, "muita gente aqui é bem pobre, mas muitos estão entrando na classe média".

A vida em lugares como Montanhão ainda é difícil. Esgoto a céu aberto corre perto do supermercado. Morro acima, em meio a várias igrejas evangélicas, algumas casas ainda são de madeira. A criminalidade é um grande problema. Dora Arruda, uma jovem que tem uma pequena barraca onde vende doces e opera uma máquina de fazer chaves na rua principal, diz ter sido assaltada duas vezes e quer mudar para um bairro mais tranqüilo. Alguns moradores reuniram-se para pagar por segurança particular.

Mas há sinais de progresso por toda parte. Novas torres de edifícios, do tipo onipresente em regiões mais ricas de São Paulo, agora são vizinhas das moradias que ainda lembram uma favela. Os serviços públicos estão melhorando: quase todos têm eletricidade, água e esgotos encanados. Novos e modernos ônibus escolares operados pelo município sobem e descem os morros. E o clima de otimismo é palpável. "Cada ano tem sido melhor do que o anterior", diz Arruda. Somando o lucro de sua barraca e o salário do marido, guarda de segurança num banco, eles ganham entre US$ 900 e US$ 1.200 por mês.

Essas pessoas são membros de uma nova classe média que está surgindo quase da noite para o dia em todo o Brasil e em grande parte da América Latina. Dezenas de milhões dessas pessoas são as principais beneficiárias da estabilidade econômica duramente conquistada pela região e pelo recente crescimento econômico. Tendo deixado a pobreza para trás, sua incipiente prosperidade está impulsionando o crescimento rápido de um mercado de consumo de massas numa região historicamente marcada pelo doloroso contraste entre uma pequena elite privilegiada e a maioria pobre. O surgimento desse segmento também promete transformar a política.

Embora pobreza seja mensurável, o termo "classe média" é subjetivo. O tipo de pessoas que, na América Latina, qualificam-se como de classe média tende a situar-se no topo da escala: profissionais liberais ricos, com empregadas domésticas, filhos em escolas particulares e férias na Europa ou Miami. Dos anos 40 à década de 70, um processo de industrialização comandado pelo Estado resultou no crescimento do emprego público e fomentou o surgimento, em alguns países latino-americanos, de uma classe média de administradores, burocratas e de uma "aristocracia" de trabalhadores especializados. Mas as políticas que os fizeram melhorar de vida revelaram-se insustentáveis; eles foram abandonados depois da crise de endividamento de 1982, que motivou uma década de crescimento medíocre e inflação elevada (ver gráfico 1 na página em Inglês aqui). A partir de então, em parte pelo fato de setores protegidos terem sido privatizados, e também devido à concorrência de importações, esse grupo passou a viver dificuldades. Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), estima que, no Brasil, 7 milhões de pessoas despencaram da classe média desde 1980 (outros 3 milhões ascenderam à classe alta).

A classe média que está surgindo agora é bem diferente. Seria mais bem definida como classe média baixa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso destaca que essa classe está mais relacionada com o mercado que com o Estado. Muitos de seus membros possuem pequenas empresas, como Gonçalves. Outros prestam serviço a empresas de maior porte. O economista José Roberto Mendonça de Barros cita um grande número de pequenas empresas prestadoras de serviços que assessoram grandes empresas agrícolas brasileiras nas áreas de informática e biotecnologia. A diferença é sintetizada nas mudanças vistas em São Bernardo do Campo. Uma geração atrás, a região era o coração da indústria automobilística, onde Luiz Inácio Lula da Silva liderou greves dos metalúrgicos. Hoje, a cidade vive do setor de serviços.

No México, diz o cientista político Jorge Castañeda, parte da nova classe média veio da economia informal ou é oriunda de novos setores ou empresas prestadoras de serviços. Essa classe é menos concentrada na Cidade do México e é mais rude, cultural e socialmente, constituída por gente de pele mais morena e menor estatura, mais caracteristicamente mexicana do que seus predecessores, diz ele.

Essas tendências estão mais avançadas no Chile. Mas são mais acentuadas no Brasil e no México, onde vive mais de metade dos 560 milhões de habitantes da América Latina. No Brasil, entre 2000 e 2005, o número de domicílios com renda anual entre US$ 5,9 mil e US$ 22 mil cresceu 50%, de 14,5 milhões para 22,3 milhões, ao passo que os que ganham menos de US$ 3 mil por ano caíram sensivelmente para apenas 1,3 milhões (ver arte 2). No México, de acordo com Alejandro Hope, da GEA, uma firma de consultoria na Cidade do México, o número de famílias com renda mensal de US$ 600 a US$ 1,6 mil cresceu de 5,7 milhões em 1996 para 10,7 milhões em 2006.

Algo semelhante começa a acontecer na Colômbia e no Peru. Na Argentina, o declínio do que havia sido predominantemente um país de classe média até os anos 70 atingiu seu ápice durante o colapso econômico de 2001-02, quando a maioria dos argentinos caiu abaixo da linha de pobreza. Mas uma rápida recuperação econômica provocou uma revitalização da classe média. Ernesto Kritz, um economista em Buenos Aires, estima que cerca de 40% das famílias argentinas, em comparação com apenas 20% em 2003, têm uma renda mensal de US$ 1 mil, que ele considera necessária para um estilo de vida de classe média.

Na América Latina como um todo, segundo o Banco Santander, cerca de 15 milhões de famílias deixaram de ser pobres de 2002 a 2006. Se a tendência se mantiver, até 2010 uma pequena maioria na região terá entrado na classe média, com rendas anuais superiores a US$ 12 mil em termos de paridade de poder de compra. No México, aproximadamente 15 milhões de um total de 27 milhões de famílias poderão ter rendas de classe média até 2012, avalia Hope.

Existem vários fatores por trás dessas tendências. O primeiro é que, desde 2004, as economias da região têm crescido a uma taxa média anual de 5%. Isso não é espetacular, mas não é ruim (a população cresce a uma taxa de apenas 1,4% ao ano). Além disso, o crescimento está exercendo um impacto social muito maior na comparação com o passado.

No começo da década de 1990, a América Latina presenciou uma explosão de crescimento puxado pelo ingresso de capitais e acompanhado de taxas de câmbio supervalorizadas. Essa combinação teve o efeito de impulsionar o preço relativo de serviços não negociáveis, assim como as rendas das pessoas na economia informal. O período atual é diferente, diz Guillermo Perry, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina. As exportações permanecem em crescimento acelerado, em parte devido aos preços mais altos pagos pelas matérias-primas latino-americanas. O crescimento das exportações, porém, também ocorre na esteira de uma rodada de desvalorizações e de duas décadas de reforma econômica de abertura de mercados.

Desta vez, o crescimento está gerando mais empregos no setor formal. No México, a economia se expandiu em 4,8% no ano passado e gerou 900 mil postos de trabalho, coerente com o crescimento da força de trabalho. No Brasil, da mesma maneira, a proporção da força de trabalho informal está começando a encolher.

Outro novo elemento são as políticas sociais inovadoras. No México e no Brasil, 1 em cada 5 famílias recebe uma pequena bolsa mensal do governo, contanto que mantenha suas crianças na escola e as levem a exames de saúde. Por fim, em alguns países as remessas dos latino-americanos que emigraram ajudam as suas famílias mais pobres na terra natal.

O resultado é que tanto no Brasil como no México a renda da metade mais pobre da população está crescendo num ritmo mais veloz do que a média. Nos dois países, a pobreza está registrando queda contínua e a distribuição de renda está se tornando menos desigual. No México, embora o crescimento tenha sido apenas moderado, a pobreza, definida como renda insuficiente para alimentar uma família, caiu de 37% para 14% ao longo da década até 2006.

Os dados apurados pela Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe podem ter feito uma avaliação moderada da queda regional na taxa de pobreza, já que eles se baseiam em pesquisados que respondem confiantemente quando indagados sobre suas rendas. O consumo pode ser um guia mais útil. O outro fator crucial que está mudando a América Latina é a inflação baixa, alcançada porque a maioria dos governos renunciou aos gastos geradores de déficits e porque a liberalização do comércio barateou muitos produtos. A inflação baixa beneficia mais os pobres que os ricos, que podem encontrar maneiras de proteger o valor das suas rendas. Ademais, o crédito retornava à medida que caíam as taxas de juros. O crédito ainda está muito mais escasso na comparação com os países desenvolvidos, mas está crescendo velozmente: no Brasil, por exemplo, o estoque de crédito aumentou de 21% do PIB em 2002 para 32% do PIB.

O crédito começa tipicamente com empréstimos para carros e bens duráveis e se move para financiamento imobiliário. No México, o valor dos novos financiamentos tem crescido em cerca de 35% ao ano. Isso, por sua vez, estimulou um surto na construção de novos projetos residenciais para famílias de classe média baixa.

As vendas de carros, computadores e eletroeletrônicos novos no Brasil e no México atingiram níveis recordes. Grande parte da demanda adicional veio da nova classe média. Um estudo de 2005 sobre famílias de baixa renda em quatro ex-favelas em São Paulo, conduzido pelo Instituto Fernand Braudel, instituição de pesquisas interdisciplinares na cidade, constatou que todas as famílias pesquisadas tinham geladeiras e TV a cores (frequentemente mais de uma), praticamente metade tinha telefones celulares, 30% tinham tocadores de DVD e 29% possuíam um carro.

Tracy Davis, do escritório da McKinsey em São Paulo, assinala que as classes sociais D a B2 (com rendas anuais que variam de US$ 3 mil a US$ 22 mil) eram responsáveis por 69% do consumo total no Brasil em 2005, numa alta em relação aos 51% registrados dez anos antes. A mulher média nessas classes sociais possui 13 calças jeans no seu guarda-roupa, afirma.

Eles também gastam com animais de estimação. "Hoje em dia as pessoas tratam os seus cães e gatos como se eles pertencessem à alta classe média: são alimentados com ração e os levam ao veterinário", diz Gonçalves. Eles também estão voando pela primeira vez. Uma das causas dos problemas recentes ocorridos no setor aéreo do Brasil tem sido o seu crescimento acelerado. No México, Castañeda menciona uma pesquisa realizada no ano passado por uma nova empresa aérea de baixo custo, que apurou que 47% dos seus passageiros jamais haviam voado antes.

Todas essas tendências positivas são recentes e permanecem frágeis. Mendonça de Barros observa que no Brasil, até muito recentemente, um universitário formado poderia esperar ganhar menos de R$ 2 mil por mês no seu primeiro emprego - praticamente o mesmo que o salário de um motorista de ônibus. Muitos daqueles que abriram caminho à custa de muito esforço para sair da pobreza poderiam ser derrubados mais uma vez se houvesse uma repetição dos colapsos financeiros que a região sofreu nas décadas de 1980 e 1990.

As novas classes médias têm mais instrução que seus pais e até freqüentaram universidades privadas. Mas são menos educados que as velhas classes médias que se beneficiaram de universidades públicas elitistas, o que dificulta a ascensão às classes médias altas.

Não obstante, a direção da mudança está clara. "Estamos nos movendo na direção de uma sociedade de classe média numa velocidade maior do que poderíamos ter imaginado há 20 anos", disse Cardoso. "Minha aposta é que estamos cruzando o limiar."

Se assim for, o fato acarreta implicações de vulto para a política. Hope encontra uma forte correlação no México entre ser dono de casa própria e apoiar o Partido da Ação Nacional, de centro-direita. A velha classe média acreditava na proteção do Estado. A nova classe média é mais autoconfiante e se beneficiou da estabilidade econômica. Considerando que ela tem muito a perder com o aventureirismo político, também poderá se tornar uma força para a manutenção da estabilidade política.

PODE SOBRAR 11 BILHÕES DE LITROS DE ETANOL EM 2012

| No comment yet

O Brasil terá que exportar entre10 bilhões e 11 bilhões de litros de álcool combustível na safra 2012/13 para escoar o excedente da produção prevista. A projeção feita até agora pela União da Agroindústria Canavieira (Unica) é que as vendas externas em quatro anos atingirão 5,5 bilhões de litros. E, se nos próximos anos, o Brasil não conseguir forçar - com negociações ou contenciosos na Organização Mundial do Comércio - a abertura do mercado externo, sobretudo o americano e o europeu, o setor sucroalcooleiro terá que adaptar sua produção.
Segundo projeções da Unica, na safra 2012/13 a produção de álcool no Brasil será de 36 bilhões de litros, considerando o adicional trazido pelos projetos de 86 usinas em fase de implantação, conforme explica o assessor da presidência da Unica, Alfred Szwarc. "Essa projeção não considera os outros 61 projetos anunciados e não mensurados", acrescenta Szwarc. Já o consumo interno de álcool, que em 2006 foi de 14 bilhões de litros, está projetado pela entidade em 25 bilhões de litros em quatro anos. "Precisamos da exportação como destino do excedente de 10 bilhões e, os Estados Unidos, com seus subsídios e barreiras dificultam nossa entrada", pontua Szwarc.
Para a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Miriam Bacchi, as projeções da Unica mostram que é preciso trabalhar mais a demanda pelo álcool para criar mercado. Segundo ela, entre as saídas para esse cenário, está o uso alternativo no mercado interno e aprospecção do externo. "Se a demanda não crescer na mesma proporção da produção de álcool, os preços indicarão isso e, o usineiro pode moer menos para equilibrar o mercado. Mas o foco tem que ser o de criar demanda e não de restringir oferta", avalia Miriam.
Otimista, o diretor de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Angelo Bressan, acredita que o mercado externo em breve terá que abrir as portas ao produto brasileiro e, possivelmente, isso ocorrerá antes de 2012. "As pressões pela substituição da gasolina por fontes menos poluidoras, como o etanol, vão aumentar nos próximos anos. O Japão, por exemplo, tem metas do Protocolo de Kyoto a cumprir já em 2008", acrescenta Bressan.
A legislação japonesa permite - não obriga - a mistura de 3% de etanol à gasolina, o que significa um potencial hoje de consumo de 1,8 bilhão de litros por ano. Mas, segundo Bressan, se for alterada a mistura para 10%, esse volume pode chegar a 6 bilhões. "Mudar a lei de mistura não é algo complicado para os japoneses. E, nos próximos três a quatro anos, só o Brasil tem condições de fornecer esse volume", avalia Bressan.
Apesar de considerar a previsão de 5,5 bilhões de litros conservadora, Bressan reconhece que para exportar 11 bilhões de litros - em 2006 foram 3,5 bilhões de litros - será preciso um "esforço gigantesco". "Mas não será impossível", completa o diretor de Agroenergia. Ele acrescenta como possibilidades no mercado importador, por exemplo, as dificuldades na China - que tem sérios problemas ambientais - de produzir etanol com milho, diante da pressão por alimentos no País.
Mas, segundo o gerenciador de risco da FCStone, Rodrigo Martini, além do mercado interno, o sucesso das exportações de álcool vai depender do desenvolvimento da infra-estrutura nos portos brasileiros.
Queima da cana
No dia 28 deste mês, os secretários de Agricultura e de Meio Ambiente de São Paulo apresentam aos usineiros as normas da antecipação de 2021 para 2014 da proibição da queima da cana-de-açúcar em São Paulo nas áreas mecanizáveis.


Planalto diz que crise justifica CPMF

| No comment yet
A oposição alega que o argumento não é suficiente para convencê-los a aprovar prorrogação.

Ciente dos riscos gerados pela crise do mercado financeiro global, o governo argumenta que a aprovação da prorrogação até 2011 da CPMF é essencial para a manutenção da blindagem do País. Parlamentares da oposição reconhecem que o País pode até ficar um pouco mais vulnerável sem os quase R$ 40 bilhões resultantes da arrecadação da CPMF. Ponderam, entretanto, que o argumento não deve ser suficiente para demovê-los a aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC) que prorroga o imposto.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu ontem um recado direto aos parlamentares. Disse que o equilíbrio das contas públicas também é garantido pela CPMF. "Acredito que os parlamentares não vão querer ameaçar o equilíbrio fiscal adquirido a duras penas no País", disse.

No Congresso, a crise internacional também é citada por governistas como um dos fatores que devem ser considerados por deputados e senadores nas votações sobre a prorrogação da cobrança da CPMF. Para a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), como ainda não se sabe qual é a dimensão da crise, "recomenda-se que em uma situação de turbulência econômica é bom ter garantias fiscais e sociais, já que R$ 14 bilhões da CPMF vão para a saúde, R$ 7 bilhões para o combate à pobreza e R$ 7 bilhões para a Previdência". "Não podemos brincar com um importante componente da receita pública; temos que nos manter imunes às crises internacionais", reforçou o coro o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo na Câmara.

É consenso no Congresso que o governo terá mais dificuldades para aprovar a prorrogação da cobrança da CPMF no Senado. Como o DEM tenta derrubar o projeto, os votos dos senadores do PSDB tendem a desempatar a disputa. Os tucanos estão divididos. Uns querem impedir a prorrogação da cobrança da contribuição. Outros querem reduzir a alíquota para pelo menos 0,20% - hoje 0,38% - e dividir a arrecadação com Estados e municípios.

Congresso promove novo festival de cargos públicos

| No comment yet
Uma série de absurdos pode levar centenas de milhares de funcionários a fazer parte da folha permanente de pagamentos da União, Estados e municípios. Patrocinadas por deputados tucanos e do Partido Socialista Brasileiro, as iniciativas a caminho de votação no Congresso - duas propostas de emenda constitucional - têm como fachada a correção de injustiças, mas, como sempre, escondem privilégios e mostram o desprezo habitual para com a coisa pública e o contribuinte.

A história começou com a incorporação de 60 mil servidores "temporários" que já haviam sido barrados pela Constituição de 1988, que, na época, eram provisórios há quase cinco anos. Depreende-se daí que a atual contratação é inconstitucional, mas sempre vale a pena tentar. Depois o tucano paraense Zenaldo Coutinho estendeu a idéia da contratação a todos os temporários de todos os níveis de governo. Coube a Gonzaga Patriota (PSB-PE) aproveitar a ocasião e incluir uma aberração - todo funcionário concursado para um cargo poderia ser efetivado em outro para o qual tivesse sido requisitado, após três anos. Estima-se em 20 mil o número de apaniguados. A soma de tudo isso fica entre 260 mil e 300 mil cargos, em um cálculo teórico..


Governo faz nova proposta de reajuste para fiscais federais

| No comment yet

O governo Lula fez ontem um nova proposta de reajuste salarial aos fiscais federais agropecuários para evitar a retomada do movimento de greve da categoria a partir de hoje. Além disso, propôs a equiparação dos vencimentos dos fiscais aos salários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com isso, todas as futuras correções concedidas aos servidores da agência serão estendidas aos fiscais agropecuários.

Pela proposta, negociada ao longo do dia de ontem com o Ministério do Planejamento, os fiscais teriam um aumento de 16,4% nos salários iniciais, o que elevaria os vencimentos a R$ 7,1 mil mensais. O pagamento seria dividido em três anos, a partir de 2008. Os contracheques dos servidores no topo da carreira teriam reajuste de 20,3%, chegando a R$ 10,1 mil quando incluídas as gratificações. Além disso, os fiscais poderiam contar com um aumento de 5,37% prometido pelo governo aos funcionários da Anvisa em 2008. Com isso, o topo da carreira dos fiscais passaria a ganhar R$ 12 mil.

A proposta eleva os salários básicos do topo da carreira de R$ 4.825 para R$ 5.156, um aumento de 6,9% em três anos. Agora, o comando de greve submeterá a oferta aos Estados e uma nova reunião, marcada para terça-feira, decidirá os rumos da negociação. Até lá, não haverá greve

Parte da indústria já admite corte maior de tarifas

| No comment yet

A posição do Brasil para a fase de negociações da Rodada Doha que começa no dia 3 de setembro sinaliza flexibilidades, de acordo com fontes que participam de encontros entre o governo e o setor privado. Parte do setor industrial, segundo essas fontes, já admite como "palatável" uma fórmula de cortes tarifários com coeficiente 23, bem abaixo do coeficiente 30 que o país insistia em ter em Potsdam em junho (quanto mais alto o coeficiente, menor o corte de alíquota).

Pelo coeficiente 23, a tarifa média aplicada no país cairia 1,6 ponto percentual ao longo de dez anos, para 9,6%. Resta, porém, o problema de setores mais sensíveis à abertura, como automotivo, têxteis e calçados.

Tudo, evidentemente, está condicionado. A negociação em Genebra será retomada na área agrícola e só duas semanas mais tarde na área industrial. Na prática, a posição brasileira na área industrial, que tem peso entre países em desenvolvimento, vai depender do engajamento dos EUA, principalmente, na negociação agrícola.

As perspectivas não são animadoras, a se julgar pela sinalização do Congresso americano, que quer aprovar uma nova lei agrícola garantindo mais subsídios, e não o contrário.

Para fontes do setor, os EUA só teriam como respeitar um acordo na OMC com a manutenção atual de preços altos das commodities, que exigem menos subsídios aos agricultores. Na medida em que os preços caírem, os americanos teriam problemas para honrar compromissos, mesmo se próximos do que o G-20 pede. Além disso, a Argentina tem eleição em outubro, e até lá parece difícil o país aceitar corte maior nas tarifas industriais.


BNDES tem lucro líquido de R$ 4,43 bilhões

| No comment yet
A revisão da projeção para risco de crédito teve impacto positivo de R$ 1,24 bilhão no balanço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e foi o principal impulso para que a instituição registrasse lucro líquido de R$ 4,43 bilhões no primeiro semestre do ano, nível recorde na história do banco.

Do total de R$ 1,24 bilhão, o depósito de dividendos pagos por ações da Cemig e arrestados na Justiça pelo banco rendeu R$ 424 milhões e o restante foi fruto de outras recuperações de crédito, o que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ao anunciar os números do balanço da instituição, classificou de "grande novidade". As ações da Cemig foram dadas como garantia ao banco de uma dívida de cerca de US$ 1 bilhão da SEB (Southern Electric Brasil), ainda relativa ao crédito concedido para aquisição de participação na empresa de energia.

A diferença gerada pela recuperação dos dividendos pode ser exemplificada ao se analisar a média de provisões entre 2002 e 2006, que foi negativa em R$ 1,2 bilhão. Desde o ano passado o valor passou a ser positivo, mas no primeiro semestre deste ano foi 256,57% superior aos R$ 350 milhões conseguidos nos primeiros seis meses de 2006.

A maior contribuição individual para o lucro recorde veio da receita com operações de crédito, que fecharam o semestre positivas em R$ 6,681 bilhões, acima dos R$ 5,99 bilhões de igual período do ano passado. O resultado com participações societárias rendeu expressivos R$ 2,259 bilhões, abaixo dos R$ 2,58 bilhões do primeiro semestre de 2006. As despesas com empréstimos caíram para R$ 5,074 bilhões, contra R$ 6,182 bilhões entre janeiro e junho do ano passado. Outro dado citado por Coutinho foi o relativo à qualidade da carteira de crédito do banco em 30 de junho.

Do total de R$ 149,5 bilhões, 96,8% estão nas categorias de clientes com rating de "AA" a "C", contra média de 90,9% do Sistema Financeiro Nacional. Apenas 1,4% do total de empréstimos situa-se no risco "H", o pior do mercado, contra média de 3,4% do setor financeiro brasileiro. "Sabemos que o grau de risco dificilmente cairá, mas estamos confortáveis para aumentar um pouco o nível de risco", revelou o presidente do BNDES.

O executivo do banco fez questão de frisar que a atual crise dos mercados de capitais mundiais não vai afetar os resultados da instituição de fomento. Para Coutinho, a expectativa é de que a turbulência arrefeça nos próximos meses. "O momento do mercado é de volatilidade, mas acredito que haverá a retomada, inclusive com a volta de IPOs", afirmou.(Valor Econômico)

Estiagem no NE

| No comment yet
O Ministério da Integração Nacional liberou, desde abril deste ano, R$ 18 milhões dos R$ 35 milhões previstos pela Medida Provisória 364 para a Operação Carro-Pipa, Programa Emergencial de Distribuição de Água nos municípios atingidos pela estiagem no Nordeste. O recurso, repassado ao Comando Terrestre do Exército (Coter), unidade responsável pela execução da operação, atende 276 municípios, que decretaram estado de calamidade por causa da estiagem. Os Estados atendidos pela operação são Alagoas, Paraíba, Piauí, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. De acordo com o secretário nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional, Roberto Guimarães, nos próximos dias pelo menos seis municípios da Bahia também deverão ser atendidos. A água destinada aos municípios é armazenada em cisternas e redistribuída para os moradores. De acordo com Guimarães, são cerca de 5 mil litros armazenados em cada cisterna para um período aproximado de 30 dias. Segundo o secretário, essa quantidade de água é suficiente para atender à demanda emergencial da população. Para Guimarães, neste ano a estiagem está maior do que em períodos anteriores. Ele lembrou que em anos anteriores a operação é executada, geralmente, a partir de outubro por um período de oito meses.

Produtividade na indústria acelera e sobe 3,5% no semestre

| No comment yet
O ritmo de crescimento da produtividade na indústria brasileira ganha força neste ano. De janeiro a junho, aumentou 3,5% em relação à primeira metade de 2006, período em que tinha crescido 2,6%. Segundo analistas, o movimento se deve principalmente à onda de investimentos produtivos feitos pelas empresas nos últimos trimestres. O grande destaque é a expansão ocorrida de abril a junho, de 4%, salto considerável em relação aos 2,9% do primeiro trimestre. O cálculo, da LCA Consultores, compara a produção física da indústria com o número de horas pagas aos trabalhadores.

Com o investimento e a produtividade em alta, a economia está preparada para crescer a taxas mais elevadas sem que isso provoque pressões inflacionárias mais fortes, avalia o economista Bráulio Borges, da LCA. Um ponto positivo é que o aumento da produtividade ocorre com o crescimento simultâneo da produção e do número de horas pagas. Não é um ganho de eficiência obtido com queda do emprego. No primeiro semestre, por exemplo, a quantidade de horas pagas cresceu 1,3%, enquanto a produção teve alta de 4,8%.

"A aceleração da produtividade reflete a aceleração da maturação dos investimentos", avalia Borges. Ele estima que, no segundo trimestre, a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos) cresceu 12,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Para 2007, Borges prevê expansão de 10,6% da FCBF, que já havia crescido expressivos 8,7% em 2006.

A coordenadora da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes Pereira, lembra que a produção e a importação de bens de capital crescem com força. "Com a compra de máquinas novas, as empresas costumam adotar técnicas de produção mais modernas", afirma ela, o que tende a aumentar a produtividade.

No primeiro semestre, a produção de bens de capital cresceu 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O principal destaque ficou por conta da fabricação de peças agrícolas, com alta de 80,7%. A produção de bens para fins industriais aumentou 20,8%.

A importação também aumenta bastante. De janeiro a junho, elas tiveram alta de 30,7%, segundo números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). Compras externas de bens de capital são positivas, porque estão associadas à absorção de novas tecnologias, afirma Isabella.

Para o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira, a adoção de técnicas mais modernas de gestão também ajuda no crescimento da produtividade, mas, a exemplo de Borges e Isabella, ele também aponta a expansão dos investimentos como o fator mais importante para explicar o processo. "Quando uma empresa substitui ou acrescenta uma nova máquina, há ganhos de eficiência", afirma ele.

Pereira diz que o setor privado tem investido mais devido à combinação de um nível de utilização de capacidade instalada (Nuci) mais elevado e da perspectiva de crescimento mais forte da demanda. Quando percebem que suas empresas estão mais próximas do limite de sua capacidade produtiva, e ao mesmo tempo acreditam que a economia vai crescer, os empresários se sentem estimulados a investir, resume ele.

Depois de subir de janeiro a maio, o Nuci divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) teve queda em junho. Para Borges, investimentos e produtividade em alta levam a uma capacidade produtiva mais elevada. Em maio, o nível de utilização bateu em 82,6%, caindo para 82,2% em junho, na série livre de influências sazonais.

Ele ressalta ainda outro ponto importante: a evolução favorável do Custo Unitário do Trabalho (CUT) neste ano. Medida que compara a variação dos salários reais (descontada a inflação) por trabalhador e da produtividade, o CUT acumula queda de 0,7% nos quatro trimestres encerrados em junho, diz Borges.

"Isso significa que a produtividade cresce a um ritmo superior ao dos salários", resume ele. É um sinal de que os reajustes salariais não devem empurrar a inflação para cima. No segundo trimestre deste ano, o custo unitário do trabalho teve queda de 1,1%, num período em que a produtividade aumentou 4% e os salários reais avançaram 2,9%.

Para Borges e Pereira, esses números mostram que há espaço para o Banco Central continuar por um bom tempo o processo de redução da taxa Selic. Borges acredita que, mesmo se houver desaceleração do ritmo de corte dos juros de 0,5 para 0,25 ponto percentual, a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o afrouxamento da política monetária pode seguir de modo ininterrupto pelo menos até o fim do primeiro semestre do ano que vem.